Fhox Talk na FOTOGRAFAR

Terça-feira, dia 12 de abril, subi no palco na Feira Fotografar para falar em 20 minutos sobre minha fotografia. Quando eu fui convidada, fiquei bem emocionada porque não era para falar sobre fotografia de casamento, que é o que eu faço há 10 anos, e sim, sobre Famílias, que é o que eu faço recentemente com a maior paixão e brilho nos olhos que eu poderia ter!

Segue o texto que preparei para falar. Não é lido e nem foi decorado, falei isso, com palavras ditas. Depois posto o video, fica mais fácil entender :)

ISSO, SOU EU:

Quando eu ouvia palestras, principalmente dos gringos, lá fora ou aqui mesmo no Brasil, eu sempre me intrigava com o fato deles serem certos e seguros daquilo que queriam, eles falavam: “a minha fotografia”, “a minha luz”,  “eu já saía sabendo o que eu queria” e por aí vai… eu me sentia uma merda!

Eu domino a técnica, eu sei do que eu gosto e não gosto, mas, sinceramente, eu sei lá que fotografia vou trazer pra casa quando acabar a sessão de fotos! Nos casamentos que fotografei também eram sempre assim, eu saía de casa… vazia! E com o tempo comecei a perceber que eu ia preenchendo esses vazios com o que as pessoas me diziam durante o ensaio. Então pensei que os fotógrafos  que eu tinha ouvido/ lido queriam pessoas que se encaixassem em suas imagens! Quando na verdade eu queria encaixar minha fotografia na vida das pessoas!

O Tulio Thomé, meu marido, me disse uma vez quando fotografou um casamento comigo: eu olho pra você e você está ouvindo o sermão do padre, ora rindo, ora chorando, rezando, você presta atenção em tudo! E eu cá pensando: e era pra ser como? É a partir do que eu observo e sinto que eu fotografo. Eu gosto de psicologia, então eu reparo nas relações familiares, depois que fui mãe de menino eu sofro junto com a mãe do noivo! Rsrs Eu sempre me coloco naquele instante, é uma meditação.

Fotografia pra mim funciona como meditação. Eu estou no presente. Enquanto estou enquadrando eu estou olhando o que está ali, quando eu meço a luz eu estou vendo a luz dali, estou conversando com quem está ali. Nem ontem nem amanhã, só o aqui e agora. E é nessa hora que me interessa a pergunta pra quê estou fotografando essas pessoas? Eu preciso de ingredientes, preciso de histórias, de segredos e abrir todos os meus sentidos e entender o que o outro espera de mim. Que nada mais é do que ser ouvido. E eu ouço com o coração e respondo com meus olhos. É um filho que quer um abraço da mãe, é um sorriso que vai ficar guardado para aquela criança se lembrar no futuro que SIM, ela sorria!

Muitas vezes chego em casa e sinto falta de alguma imagem, por exemplo: não fiz a mãe com os dois filhos sozinha! Só tem com o marido. OU  poxa não fiz a foto do pai com o recém nascido sozinho. Mas acredito que tudo faz parte da dinâmica do momento e nada é por acaso.

Eu olho pra minha criança interior. Como ela era, o que ela sentia e, muito importante, que recado essa menininha tem pra me dar. Que recado seu pequeno tem pra você? E eu descobri que a imagem que eu tenho da minha criança não condiz com a imagem que minha mãe tem dela. E aí resolvi imprimir muitas e muitas fotografias do meu filho e pendurar, junto com ele no seu quarto, pra no futuro ele se lembrar o quanto foi amado, o quanto foi feliz, o quanto as pessoas, os avós, os amigos queriam estar com ele. A gente distorce nossa percepção invariavelmente, então, se vai adiantar, daqui uns 25 anos eu digo. Mas é por amor que penduro cada fotografia na sua parede.

O resultado da minha fotografia pode ser parecido com a dos demais fotógrafos, até mesmo com a dos gringos que citei. Mas a motivação que me leva até ali é somente minha. O resultado pode não ser surpreendente mas é a minha resposta pro que eu ouvi. Geralmente a surpresa e o encantamento vem por parte do fotografado, que é meu maior objetivo.

Minha fotografia é simples, emotiva, carinhosa, quase um afago. Um afago naquela criança que um dia vai crescer e se tornar um adulto em busca de respostas sobre si. Sobre sua família, suas questões. E minha pretensão, muito audaciosa, é que esse adulto se sinta afagado por essas memórias, que sirva de colo, que sirva de respiro. Porque é por AMOR que eu fotografo famílias.

FRASE FINAL: onde você está? AQUI Que horas são? AGORA Quem é você? ESTE INSTANTE.

No dia seguinte, estava no meu e-mail, as notícias do primeiro dia, e me deparei comigo mesma! Leia aqui.

E vejam como foi o dia! Eu e Tulio Thomé, meu marido, meu apoio, meu incentivador que ainda filmou tudo (depois quando editarmos posto aqui)

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Paula, errei o nome hahahah :)

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E a foto que a Fhox postou no Instagram dela com a legenda “@carolina_pires lotando a arena FHOX” quase desmaio :)))))

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Agora o video feito pelo Tulio Thomé!

Obrigada a TODOS!!!!

Carol :)

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