Os pais da Popô

Eu tenho um projeto pessoal que me dá um prazer gigantesco: fotografar e contar histórias de mulheres que se superaram na maternidade. Essa é a terceira história. Todas as mulheres que fotografei para o projeto apareceram de repente. Brotaram para mim e reconheci ali personagens para o meu trabalho. A primeira foi a Thaís, fui até o Sertão de Pernambuco contar essa história daqui. A segunda, foi a Rachel, acompanhei e aguardei junto por esse momento daqui e depois também aqui.

E, um dia conversando com a própria Rachel, falei que queria fotografar alguém que estivesse na fila da adoção e ela me disse que conhecia alguém. No dia seguinte, vejam beeeeem, recebo uma mensagem no facebook da Leila dizendo: quero fazer um ensaio do coração, moro em SP, vou entrar na fila de adoção… e eu: opa! vc é a amiga da Rachel? Não! Vejam bemmmmmm, no dia seguinte da minha vontade, me aparece a Leila, que mora em SP, me conhecia por um casal querido que já fotografei e… ela ainda ia entrar na fila da adoção.

Ah, pelo amor de Deus, eu praticamente coloquei meus papeis junto rsrs, acompanhei por um ano, desde antes, desde durante e até que dia 4 de março, vejam beeeemmmm, aniversário do meu filho, ela me diz: ligaram pra gente!!! O QUÊ?! Chorei junto! Nossa ideia primeira era que eu fosse junto fotografar ela parindo sua filha no abrigo, o momento do encontro, e, só de imaginar, eu já me arrepiava e dizia: não vou conseguir fotografar… mas o Universo sabe. Esse momento era só deles! Não pude ir para SP naquela ocasião, foi de um dia para o outro, de sopetão, que disseram agora VEM, VEM que vocês vão conhecer a Pollyana!

PRECISO dizer aqui que todas as outras mães foram entrevistadas por mim, em detalhes, para que eu contasse a história certinha. Mas esse post é surpresa. SURPRESA pra essa mãe e esse pai que estão no momento na UTI segurando a mãozinha dessa criança de olhar doce e cabelos esvoaçantes. Polly tem, OPS, TINHA uma má formação na caixa craniana chamada cranioestenose sagital.  Teve que abrir, remontar os ossinhos e montar de volta. A notícia que eu tive hoje foi a seguinte: ela estava pulando na cama da UTI. Meu sorriso se rasgou! Então, as perguntas que eu fiz pra Leila, não foram respondidas, porque no dia seguinte ela seria operada e eu pensei cá comigo, pra que respostas? Esse olhar dessa primeira fotografia é tudo que eu preciso saber.

E foi assim ó:

Não conseguimos nos encontrar em SP, mas como o pai da Polly, o Diego, é do Rio, a família veio visitar a avó! E num domingo muito quente e muito ensolarado fomos brincar na Lagoa. Eu queria um lugar onde ela pudesse ser criança!

Cheguei no local com o coração aceleradíssimo, medo de fotografar tamanho AMOR, tamanha GRATIDÃO! Eu jamais conseguiria, mas fui aberta, na verdade eu queria era esmagar a Leila e agarrar a Polly, eu só conhecia as duas por fotografia e muitas trocas de mensagens. Eu sentia como se fosse encontrar um paquera de tão nervosa que eu estava! hahaha! E de longe avistei a cabeleira da Polly no colo da mãe. Corri feito criança! Corri, corri, abri os braços e agarrei as duas, lembrando aqui com olhos marejados! Meu Deus que conexão era essa que eu criei com essas pessoas que nunca tinha visto! Abracei, abracei e meus óculos escuros escondias as tantas lágrimas. Polly se jogou no meu colo (ela se joga em todos!) e eu não queria mais devolver! O problema era que eu tinha que fotografar pq o papo não acabava JAMAIS! Mas vamos né? Ansiosa e afetada de amor eu saquei a câmera da bolsa quando na verdade eu só queria brincar.

- Polly, quer uma bola? Eu perguntei.

E esse olhar… ah esse olhar…

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Ela tem um ano e meio, quase dois meses de nova vida! E é uma criança igualzinhaaa a que tenho aqui, hahahaha, CHORA!

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E faz pose.

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E essa é a FAMÍLIA da Polly. Diego e Leila, pais completamente enlouquecidos de amor, de trabalho, de não saber se briga ou se dá beijo porque é tãoooo linda ela!

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Essa é a Leila que me mandou uma mensagem antes mesmo da sua vida ser invadida por essa coisa avassaladora que é a maternidade. Ela queria fazer fotos grávida do coração.

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Sabe o que eu falei pra Leila? Você não vai saber o que fazer. Vai ficar muito cansada. Vai amar e ter raiva. Vai pensar: o que eu faço com ela até ela dormir? IGUAL a todas as mães. Igual a mim, tudo, tudo igual. A diferença é que a sua nasceu andando feito boneca ai ai… que fofa!

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Vemmmmm com a tia Carol!!!!!

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E, estando no Rio, toda criança ama biscoito Globo rsrsrs

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Diego não consegue ver UMA lágrima, quer secar todas, quer chorar junto, quer colocar ela dentro do seu coração e não tirar ela nunca mais de lá!

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Viu? Igualzinha a todas dessa idade hahahahah

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Sabe o motivo???? Queria NADAR na lagoa! hahahahaha ô querida é linda mas tãaaaaao suja :(

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Mas colo de mãe cura tudinho!

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E quem não gosta de voar??

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E quem não quer beijo do papai??? Ela quer!!!

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Essa fotografia abaixo foi a primeira que publiquei no facebook da Leila com a seguinte legenda: Cada um dá o que tem e recebe o que merece.

Vocês merecem! Ela merece!

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Popô, essa é sua FAMÍLIA e vc vai caminhar com ela para sempre!

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E a Leila está em estado de Nirvana! E brinca e sorri com os olhos e não sabe o que fazer para extravasar esse amor!

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LEILA OLHA esse OLHAR dela para VOCÊ! ahhhhhhhhhhhh páraaaaaa!!!!!! Não consigo ver que me emociono!

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Mãe e Filha. Amigas. Companheiras.

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E hora do mamá!

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Popô, Polly, Pollyana, antes de sabermos quem seria a filha deles, já te aguardávamos. Mesmo antes de te ver, eles já te amavam. Quando eles contam sobre o encontro de vocês, aquele que eu perdi, mas para não chorar eu digo que o Universo sabia que aquele momento era só de vocês, eles se emocionam. A cada vez. “Ela veio andando e abriu os braços pra gente, o pai não queria mais soltar ela, enfiou a cara e chorou feito criança” sniffffff

Disseram para eles que você teria que passar por uma cirurgia. Eles só viam seus olhos. Só viram seu sorriso. Nesse momento, 1:10 da manhã, imagino sua mãe, cansada, esperançosa ao seu lado, desde o dia que você foi internada. Ali, sempre ao seu lado, com medo, com sono, com o coração rasgado. Ali. segurando sua mão, fotografando tudo. Sabe o que ela me disse hoje?

“estou me sentindo muito foda e orgulhosa por ela ser tão carinhosa. Todos estão apaixonados! Ela faz carinho nas enfermeiras, pede colo e joga beijos”

Entendeu, pequena? Sua mãe é a melhor mãe que você poderia ter e você, veja bem, vocêêê é a melhor filha que ela poderia ter.

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E sabe por que vou postar isso aqui tão tarde? Porque é bem provável que sua mãe esteja acordada essa hora, no hospital com você, ou vai acordar em algum momento e nas madrugadas, ainda mais no frio, é quando nos sentimos mais sozinhas e eu espero de coração que ela veja (se ela dormir e só vir amanhã, melhor ainda!) e se sinta abraçada! Acarinhada.

Leila, Diego, parabéns. Vocês são PAIS!

OBRIGADA, essa história ficou ainda MAIS LINDA do que quando começou!

Força, jajá ela pula na sua cama!

Carol :)

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5 Comentários

  1. Vanessa Mariano disse:

    Tudo lindo, Carol! História, fotos, seu gesto de carinho. Chorei horrores, pra variar…rs. Deus abençoe a Pollyana para que ela vá logo pra casa brincar muito!

    Beijo!

  2. fernanda disse:

    Por ainda não ser mãe e desejar ser, por cada vez pensar na adoção como primeira opção, por também ser fotógrafa (e exatamente por isso) e ter lido isso no meio da madrugada… Por tudo isso foi impossível não me emocionar. Suas fotos são lindas, mas que delícia é saber a história das pessoas! E seus textos são ótimos! :)

  3. Juliana disse:

    Oi Carol, tudo bem? Depois de um tempo sem conseguir abrir os olhos, pois as lágrimas não paravam de descer, venho aqui te dar toda minha gratidão. Foi incrivelmente foda ler a história desse ângulo. Você transmite uma energia incrível e por alguns segundos me senti ali, na Lagoa, vivendo aquele momento com eles.
    Deixa eu me apresentar. Sou a Juju. Ou melhor, sou a titia Juju. Irmã da Leila e, porque não, irmã e filha do Diego (porque é assim que ele me trata, me mima, me cuida e me briga; e eu o amo assim).
    Moro a pouco menos de 10 mil quilômetros de distância deles. Sou a que ficou pra titia e resolveu se aventurar mundo afora. E é exatamente por isso que te dou toda a minha gratidão! Por transmitir essa história linda e esse amor indescritível dessa maneira tão viva e intensa. Viajei minhas 14 hs em minutos e desembarquei de paraquedas na Lagoa. Por pouco que não sinto o cheiro deles.
    Que Deus lhe dê em dobro todo esse amor, toda essa energia, toda essa verdade em vida transformada em arte que é a sua fotografia.
    Tenho a cada dia tentado transmitir pra eles todo o meu amor… Todo o meu coração e fé está voltado para eles, ainda mais nessa última semana! Mas hoje, quem trouxe eles pra mim foi você! Obrigada Carol! De todo o meu coração, e com os olhos emaranhados… O meu mais sincero muito obrigada!

  4. Andre Ewald disse:

    Olá, Carol! Tudo bem??

    Assim como a titia acima, deixe-me apresentar!! Sou o titio Andre, irmão da Leila e, porque não, do Diego!!

    Além do amor que já sinto pela graciosa da Popo, minha filha nasceu na semana passada e, também por isso, não consegui controlar as lágrimas ao ler a história que minha irmã está vivendo contada por você, com seu texto PERFEITO e fotos SENSACIONAIS!!

    Agradeço imensamente pelo carinho e emoção que você dedicou para esse ensaio!!

    Forte abraço!!

  5. Monica disse:

    Hoje, dia nacional da adoção, a história da Polly está aí para nos mostrar que o amor tudo vence e constrói!

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